A Organização das Nações Unidas (ONU) declarou que 2019 é o Ano Internacional das Línguas Indígenas. A ideia é elevar o nível de conscientização deste tema e sua relevância para a diversidade e cultura global. O sinal de alerta faz sentido. Das cerca de 7 mil línguas faladas no mundo, mais de um terço delas são línguas indígenas, e muitas correm sérios riscos de serem extintas.

O movimento gerado a partir da ONU encontrou um forte aliado: o gigante Google. Com o intuito de ajudar a preservar essas línguas, a plataforma Google Earth criou um espaço chamado Celebração das Línguas Indígenas, que entrou no ar agora em agosto. 

Neste ambiente virtual estão gravações de 55 falantes de línguas indígenas, dos mais variados povos, dentre eles Cheroqui, Sanoma, Tuaregue, Fulfulde, Quéchua, entre outros. Os visitantes escolhem um lugar no mapa e podem ouvir saudações tradicionais, músicas ou palavras e frases comuns em seus idiomas.

Interessante deste projeto do Google é que ele não está acabado. Há um convite para pessoas ou entidades que queiram colaborar e integrar novas línguas na coleção. Além disso, os visitantes podem conhecer melhor o trabalho desenvolvido por todos os envolvidos que ajudaram a dar vida ao espaço Celebração das Línguas Indígenas. Outro jeito de fomentar as tradições.

Direito dos povos e preservação cultural

“Falar no próprio idioma é um direito humano. Uma cultura não existe sem sua língua”, diz Tania Haerekitera Tapueluelu Wolfgramm, pertencente aos povos Maori e Tongan, e que trabalha como educadora e ativista na Nova Zelândia. 

“Centenas de idiomas estão a poucos dias de nunca mais serem falados ou ouvidos. Colocando as línguas indígenas no cenário global, reivindicamos nosso direito de falar sobre nossas vidas, com nossas próprias palavras. Isso significa tudo para nós”, acrescenta Tania, uma das organizadoras do projeto dentro do Google.

Por se tratar de uma tarefa realizada por diferentes pessoas, as impressões acabam sendo variadas. Em comum, as experiências emocionantes vividas durante a preservação das línguas indígenas. 

Arden Ogg, diretor da rede de alfabetização Cree, no Canadá, e Dolores Greyeyes, que pertence ao povo Plains Cree e é professora do idioma, pensam que o objetivo central do projeto é garantir um recurso adicional para quem está interessado em aprender as línguas. Já Brian Thom, antropólogo e professor da Universidade de Victoria, em British Columbia, diz que se interessou pela ideia depois de realizar um trabalho de mapeamento de terras indígenas junto às comunidades.

Conexão com eu interior

Na medida em que colocam seu idioma em movimento e, principalmente, compartilham seus conhecimentos com o resto do mundo, os povos indígenas abrem novas conexões culturais e ajudam na manutenção de uma tradição antiga. E que não pode desaparecer. 

Wikuki Kingi, um mestre Carver Maori, gravou cânticos tradicionais em Te Reo Maori, uma língua da Polinésia Oriental nativa da Nova Zelândia. “Falar Te Reo Maori me conecta com meus parentes, com a terra, os rios e o oceano, e pode me levar a outro tempo e lugar”, diz.

Já Dolores, que gravou um áudio em Plains Cree, encerra: “Não estou fazendo isso por mim, e sim por meus filhos e netos – para que eles possam ouvir nossa língua no futuro”.

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