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A língua está entre os elementos de uma cultura passíveis de cair na vala comum do preconceito. A bem da verdade é que a linha é tênue entre o respeito e o preconceito linguístico. Nós, brasileiros, nos recordamos bem da entrevista do então técnico da África do Sul, Joel Santana, falando inglês com a mídia sul-africana, anos atrás. O profissional foi motivo de chacota por sua pronúncia e desapego em falar o idioma estrangeiro sem qualquer tipo de constrangimento. Santana virou até garoto propaganda de uma escola de idiomas, tamanha a popularidade na época. O também técnico Vanderlei Luxemburgo passou por situação semelhante com o espanhol, quando dirigiu o Real Madrid.

Quando paramos para refletir com um pouco mais de profundidade sobre o tema, notamos que, de um jeito ou de outro, o preconceito vinculado a uma língua acaba por se fazer presente em nossa sociedade atual. E essa repulsa ligada a um idioma pode aparecer de diferentes maneiras. Na crítica a um sotaque específico, na intolerância com estrangeiros e sua respectiva língua, na aceitação de neologismos, na crítica ao uso informal da língua, etc. E todas essas práticas acabam indo na direção da discriminação.

Preconceito linguístico dentro de casa

O preconceito vinculado a uma língua pode, inclusive, se fazer presente dentro do próprio idioma, como mostra o livro “Preconceito Linguístico: o que é, como se faz”, assinado pelo linguista brasileiro Marcos Bagno. De acordo com o autor, não há uma forma certa ou errada quando se diz respeito ao uso da língua, e que o preconceito linguístico está vinculado a uma ideia de que existe somente uma língua correta, cuja base está na gramática normativa. Tal prática, segundo Bagno, colabora com a exclusão social.

Na obra, Bagno analisa oito mitos sobre o preconceito linguístico, entre eles que o português é muito difícil; que a língua portuguesa falada no Brasil apresenta uma unidade surpreendente; que as pessoas sem instrução falam completamente errado; e que o certo é falar assim porque se escreve assim. O autor responde a todas essas questões mostrando que a realidade não é bem assim.

Respeito pela diversidade de idiomas

É preciso ficar atento para não se deixar levar por esse grande equívoco que é o preconceito relacionado às línguas. Respeitar os dialetos, a diversidade dentro de um idioma, não fazer julgamentos precipitados e comparações inadequadas entre uma língua e outra, aprender a lidar com o diferente e apreciar as muitas línguas, são atitudes importantes para frear o ódio e a intolerância. Isso é um exercício diário e cabe a cada um de nós fugir da cilada do preconceito.

Aliás, uma das premissas básicas de uma boa tradução é estar completamente desprovido de qualquer tipo de preconceito com a língua. Na hora de traduzir um material escrito ou conteúdo falado, um bom tradutor ou tradutora profissional deve, além de imergir no contexto do assunto sem prejulgamento, conhecer com profundidade as línguas envolvidas e, principalmente, respeitar as diferenças entre elas. Só assim poderá entregar uma tradução eficiente e, acima de tudo, ética.

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