A Suíça é conhecida por sua variedade linguística, apesar de seu modesto tamanho. São três idiomas oficiais: alemão, francês e italiano. Essas três línguas, do ponto de vista geográfico, são divididas da seguinte maneira: o sul, que compartilha os lagos suíços-italianos, fala italiano; o oeste, perto de Genebra, usa principalmente o francês; e as partes centrais e orientais do país, como Zurique e St. Moritz, tem como língua principal o alemão. 

Mas não é só isso. A pequena comunidade suíça de Basse-Ville de Friburgo, com cerca de 40 mil habitantes, seria mais um vilarejo tranquilo, bem típico dos cantões europeus, não fosse um detalhe: seu idioma. 

Mistura do francês com o suíço-alemão

O bolze é uma língua única, criada pelos locais, que mistura o francês com o suíço-alemão. Trata-se de um verdadeiro patrimônio cultural. Não se sabe ao certo a data de sua criação, já que a língua é transmitida de forma oral de geração em geração pelos próprios familiares. Mas, o que se sabe a respeito é que essa língua nasceu no seio da revolução industrial, lá no século 19. 

Por se tratar de uma cidade fronteiriça que tradicionalmente era bilíngue, com o francês e o suíço-alemão bastante presentes no cotidiano das pessoas, Friburgo era o ambiente ideal para os mais necessitados que procuravam trabalho dentro do contexto do boom industrial, que levou à época muitas pessoas do ambiente rural para o ambiente urbano.

De acordo com Michel Sulger, guia turístico de Friburgo e especialista em bolze, um grande número de agricultores de Sense, a região próxima a Friburgo, procurava emprego e encontrava condições de vida acessíveis no bairro de Basse-Ville. Logo, eles acreditavam que a vida seria mais fácil na cidade suíça. 

A nova língua oral, portanto, nasceu da necessidade desses trabalhadores se comunicarem entre si, já que parte falava francês, e outra parte tinha o suíço-alemão como língua materna. Com a criação do bolze, eles tinham uma língua em comum e mais fácil para a comunicação geral.

Por se tratar de uma fusão de línguas que deu origem a uma nova forma de expressão, para compreender o bolze não basta dominar o francês ou o suíço-alemão. É necessário dominar completamente os dois idiomas em questão, já que o bolze tem um ritmo linguístico e um equilíbrio próprio. Ou seja, é realmente como aprender uma terceira língua.

Preservação da cultura local

“Isso faz parte da história de Friburgo. A cultura bolze é feita de pessoas fluentemente bilíngues. Isso é realmente raro em Friburgo, porque geralmente falamos uma ou outra língua melhor. Aqueles que falam bolze podem realmente falar ambas e podem fazer essa mistura. Isso torna os falantes de bolze especiais porque ela é falada apenas por poucas pessoas”, explicou Sulger.

Embora seja um grande mistério para os que não dominam o idioma, o fato é que o bolze hoje tem enorme peso cultural. Os falantes conversam nessa língua mais com a intenção de preservá-la. Os falantes atuais enxergam o bolze como uma fusão de linguagem, política e cultura, uma herança da Revolução Industrial. 

É a história viva de um povo, uma espécie de resistência. Tanto é que atualmente fala-se mais servo-croata, albanês e português na região que o bolze. 

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