Pesquisar como a tecnologia pode contribuir para o aprendizado da língua portuguesa dentro da escola pública. Esse foi o centro da dissertação realizada pelo mestrando Marcelo Aglio dentro do Programa de Mestrado Profissional em Letras (Profletras) da USP, Universidade de São Paulo.

O trabalho se baseou na experiência com a turma do sexto ano da Escola Estadual Professora Priscila de Fátima Pinto, de Itu (SP), na qual Aglio ministra aulas regulares há 11 anos. O professor-pesquisador observou as estratégias para o ensino da língua portuguesa e seus gêneros textuais com a ferramenta Aventuras Currículo +, fornecida pela Secretaria de Educação do Estado de São Paulo desde 2016.  

O Aventuras Currículo + nada mais é do que um jogo de RPG utilizado para recuperação de conteúdo tanto em Língua Portuguesa quanto em Matemática. Ele coloca o aluno como agente especial que deve cumprir missões para salvar a Terra. Cada missão trabalha com um gênero textual, como, por exemplo, o jornalístico e as histórias em quadrinhos. No final de cada missão, o aluno deve produzir um texto dentro do gênero estudado, tudo atrelado à narrativa do jogo.

“Através dessa narrativa, o aluno se envolve e gosta muito de participar das aulas. É um incentivo para o aprendizado da língua portuguesa, e o envolvimento em grupo”, conta Marcelo Aglio, mestrando do Profletras da Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas (FFLCH) da USP.

Aprendizagem da língua com diversão

O jogo de RPG apresentou enorme êxito, pois trabalha com o que está presente na Base Nacional Comum Curricular (BNCC), incorporada ao currículo paulista. A ferramenta, no fim das contas, permite que o aluno aprenda se divertindo, o que é extremamente relevante nessa fase do aprendizado escolar. 

De acordo com Aglio, o ensino tradicional já não afeta mais os alunos do século 21. E o jogo é um tipo de incentivo para o aluno se ligar mais ao conteúdo.

“Está dando certo, é uma grande alegria. “Na minha pesquisa notei um estreitamento afetivo com os alunos, o que é fundamental em sala de aula. Ele se envolve mais com a aula e, consequentemente, com o papel do professor”, acrescenta. 

Ainda segundo o professor, é perceptível o avanço quando se compara o antes e o depois do uso do game nas aulas. “Os alunos demonstram mais gratidão e muito mais interesse por aquele momento que está vivendo dentro da escola. O aluno tomou para si o aprendizado com essa ferramenta e começou a enxergar a escola de uma outra maneira”, celebra Marcelo Aglio.

Língua como meio de emancipação social

O pesquisador também fez questão de falar sobre a importância da língua dentro do contexto social. 

“Acredito que a língua é um instrumento de emancipação social. É como uma roupa, é a primeira coisa que as pessoas percebem na gente. A pessoa que domina o idioma dela e as diferentes manifestações da língua escrita e falada com certeza vai ter um apreço social muito maior, portas vão se abrir para ela transitar na sociedade”, comentou. 

Por último, chamou a atenção para a relação entre a língua e o poder. “Infelizmente estamos em uma realidade no país que muitas pessoas não têm esse domínio da língua e isso dá espaço para as pessoas serem dominadas por grupos que estão no poder. Para dominar todas as outras áreas, a língua portuguesa é primordial”, encerra.

Fonte: Jornal da USP

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