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O Brasil tem proporções continentais. Como costumam dizer, são vários “brasis” dentro de um grande país. E, como não poderia deixar de ser, essa grande extensão territorial se reflete na língua portuguesa. Afinal, são mais de 210 milhões de pessoas falando português, mas, cada um à sua maneira.

Basta olhar para cada região do Brasil para notar essa grande e bela variedade linguística. O jeito de se expressar no Norte, por exemplo, é diferente do Centro-Oeste. No Sul é diferente do Sudeste, e assim por diante.

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Estamos falando de uma enorme diversidade de ritmos, expressões e sotaques em todo o território nacional. Inclusive muito diferente daquela língua que ganhou terreno por aqui a partir dos primeiros colonizadores portugueses, muitos anos atrás. Porque, é sempre bom lembrar, a língua está em constante transformação, e o que é falado hoje será bem diferente da forma de falar num futuro distante, como em 2121.

Influência indígena e africana

E por falar nos nossos irmãos europeus, alguns especialistas já dizem que o português falado no Brasil pode ser considerado distinto do português falado em Portugal. Aqui, vale ressaltar que a troca e convívio com línguas africanas e indígenas exerce um papel importante dentro desse contexto.

Na visão de Marcos Bagno, professor e especialista em linguística, essa influência, quando analisada com cautela, é bem aparente. Segundo ele, o desaparecimento das vogais no português falado na Europa é um elemento que nos chama a atenção, porque o que aconteceu por lá, não ocorreu do lado de cá do oceano. Ou seja, cada português tem a sua particularidade, e não há nada de errado nisso.

“Mantivemos o ritmo silábico pausado que era característica do português antigo, e muito provavelmente, por conta da influência das línguas africanas. Porque as línguas africanas que vieram para cá têm esse padrão silábico ta-ca-ta-ca-ta”, explica o professor.

Já com relação às línguas indígenas, acabamos abraçando os sons mais anasalados, aqueles típicos da região Nordeste do país. Por exemplo, é essa a razão pela qual costuma-se falar “bãnana” no lugar “banana”. Além disso, vale citar também aquele tradicional “r” caipira bem característico no Brasil. Essas duas situações retratam bem essa realidade da influência indígena.

Por outro lado, sabe aquele “s” marcante do Rio de Janeiro? Pois bem, você sabia que ele é oriundo do português falado na Europa? Isso porque, por volta de 1800, quando a Coroa portuguesa se instalou em terras cariocas, trouxe muita gente junto. E essa grande concentração de europeus, junto de suas formas de se expressar, acabou sendo incorporado pelos moradores locais. 

Mas, diga-se, isso não é privilégio dos portugueses. Vários imigrantes que chegaram ao Brasil nos séculos XIX e XX, como japoneses, alemães e italianos, também deixaram suas marcas a partir de suas tradições, que acabaram refletindo nas línguas. Um exemplo disso é que em São Paulo, muitos dizem que estão com “fóme” e não “fôme”, nesse caso, uma herança da língua italiana.

Tendência do português e preconceito

Pensando em tendências, o professor Bagno acredita que o processo chamado “economia linguística”, que foge das redundâncias, deve simplificar, por exemplo, a marcação do plural. Porém, ele pensa que isso deve levar tempo, uma vez que ainda é muito forte a ideia de preconceito linguístico, bem característica de sociedades que tomam como base principal a língua escrita.

Por fim, é importante frisar: devemos fugir do preconceito e abraçar as culturas e diferenças que fazem da língua portuguesa um idioma tão especial.

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