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Quem nunca se arriscou a falar um portunhol quando esteve junto de pessoas nativas de língua espanhola? Isso é mais comum do que se possa imaginar, principalmente quando estamos em viagens internacionais ou mesmo em cidades que fazem fronteira com países de línguas diferentes. Não é demais lembrar que o Brasil é o único país da região a falar português, e faz divisas com ao menos sete países que usam o espanhol como língua no dia a dia.

Como são línguas que guardam semelhanças, inclusive no vocabulário, português e espanhol acabam naturalmente se misturando em muitas fronteiras porque essa, no fim das contas, é a dinâmica própria da fronteira. Assim, é comum surgir a pergunta: o portunhol é uma língua?

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A rigor, quando olhamos para o viés de que uma língua propriamente dita exige algumas normas, a resposta é não. Porém, há uma linha mais aberta que entende que sim, que o portunhol pode ser entendido como uma língua. 

Por exemplo, na visão de Jorgelina Tallei, argentina e docente de espanhol na UNILA, Universidade Federal da Integração Latino-Americana, o portunhol tem um quê de liberdade.

“É essa língua que se mistura o tempo todo. Eu me identifico com o portunhol, então, portunhol é uma língua porque eu me identifico com ela”, diz. 

Se ainda não é reconhecida como uma língua, ao menos existe hoje um movimento para que o portunhol seja reconhecido como Patrimônio Imaterial da Unesco.

O portunhol selvagem

Dentro desse contexto, há um movimento interessante chamado portunhol selvagem, existente sobretudo na tríplice fronteira entre Brasil, Argentina e Paraguai, que engloba o português, o espanhol e o guarani e o árabe, por exemplo.

Segundo Jorgelina, trata-se de um movimento literário que mistura várias línguas, e se caracteriza como um movimento artístico.

O escritor e tradutor Douglas Diegues, filho de mãe paraguaia e de pai brasileiro, defende essa variação do portunhol. De acordo com ele, essa foi a primeira língua que aprendeu. 

“Era a língua que a minha mãe conversava comigo, faz parte da minha formação e desenvolvimento como pessoa”, comenta. 

“Entendo o portunhol selvagem como uma língua literária, que não existe como idioma oficial, mas existe como fala e escrita literária. Você pode trabalhar com três gramáticas, o português, o espanhol, o guarani, mas é possível misturar, usar esse lado lúdico, conta o escritor.

Jorgelina acrescenta que não existe uma forma correta de falar o portunhol ou o portunhol selvagem porque elas se modificam conforme transitam entre as linguagens presentes na tríplice fronteira.

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