Um estudo recente comandado por Rodrigo Cámara-Leret e Jordi Bascompte aponta que a extinção de línguas indígenas está diretamente ligada ao desaparecimento dos conhecimentos sobre plantas medicinais.

O trabalho mostra a forte ligação entre as línguas indígenas e esses conhecimentos da natureza que remetem à ancestralidade. Isso porque, tradicionalmente, esse tipo de conhecimento é transmitido de forma oral. E, assim, chama ainda mais atenção para um tema que já desperta o cuidado de autoridades mundiais.

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A ONU, Organização das Nações Unidas, declarou 2022 a 2032 como a Década Internacional das Línguas Indígenas como forma de minimizar o constante desaparecimento dessas línguas. Para se ter uma ideia, de acordo com a Unesco, 43% das 6.000 línguas faladas hoje no mundo correm riscos de extinção.

Assunto relevante no Brasil e no mundo

E essa questão afeta inclusive o Brasil. Segundo o Ethnologue, são 99 os idiomas no país que estão morrendo, incluindo línguas indígenas. Mais: conforme o Atlas das Línguas em Perigo da Unesco, 190 línguas indígenas estão ameaçadas de extinção. 

E isso não aconteceu de uma hora para outra. Conforme o Instituto Socioambiental, só restaram 160 línguas indígenas das 1.000 que eram faladas por aqui antes da chegada dos portugueses.

O trabalho de Cámara-Leret e Bascompte analisou nada menos do que 3.597 espécies vegetais e 12.495 usos medicinais. Eles associaram esses dados a 236 línguas indígenas faladas em três regiões: noroeste da Amazônia, Nova Guiné e América do Norte. Todas contam com rica diversidade biocultural.

A conclusão? Nessas áreas em específico, 75% dos usos de plantas medicinais são conhecidos em apenas uma língua.

Por exemplo, no noroeste da Amazônia, foram avaliadas 645 espécies de plantas e seus usos medicinais que envolvem a tradição oral de 37 línguas. Os pesquisadores detectaram que 91% desse conhecimento só existe em apenas um idioma. Ou seja, caso esse idioma se perca, todo o conhecimento medicinal simplesmente desaparece. Já em Nova Guiné, esse porcentual é de 84%, enquanto na América do Norte ficou em 73%.

Perda medicinal e cultural

Importante frisar também que, além dos saberes medicinais, há ainda uma perda cultural. Fato é que tanto as plantas quanto as culturas têm de ser preservadas. Afinal, as plantas medicinais são parte fundamental do patrimônio cultural dos povos indígenas.

Por fim, de acordo com os cientistas, o estudo traz sua contribuição para evidenciar que cada língua e cultura indígena em questão tem percepções únicas. E que, por conta disso, podem levar seus conhecimentos medicinais também a outras sociedades.

Não é demais lembrar que diversos medicamentos comercializados atualmente em grande escala em todo o mundo são produzidos a partir de plantas medicinais. Um bom exemplo é o ácido acetilsalicílico, a famosa aspirina, cujo princípio ativo é extraído do salgueiro. Vale citar ainda a morfina, que tem sua origem na papoula.

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