Um dos grandes trunfos da comunicação é se fazer entendido. E é exatamente isso que estão fazendo alguns jovens brasileiros ao traduzir conteúdos tradicionais acadêmicos para a linguagem da periferia, em uma ação democrática que vem alcançando muita gente e dando bons resultados. 

Dois exemplos se destacam nesse meio, que se utilizam da produção de conteúdo em vídeo para compartilhar conhecimentos e provocar reflexões. 

Thiago Torres, estudante de Ciências Sociais na Universidade de São Paulo, é conhecido como o “Chavoso da USP”. Em seu canal no Youtube, divide conceitos e ideias acadêmicas em uma linguagem acessível a jovens da periferia de São Paulo. Torres, diga-se, foi nascido e criado na Brasilândia, bairro da zona norte de São Paulo, e hoje mora em Guarulhos, na Grande São Paulo.

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Em sua página, com mais de 80 mil inscritos, o jovem estudante trata de temas diversos, mas relacionados à vida universitária, à preparação para o sempre desafiador vestibular, negritude, gênero e sexualidade, religião, política, veganismo, periferia, entre outras coisas.

Por exemplo, entre os vídeos com mais visualizações em seu canal, estão “Como passei na USP”, com 193 mil visualizações; “Raça e Racismo: o que é ser negro, branco ou pardo?”; “Esquerda e Direita”; “Quem é o sistema: a história do capitalismo”. Thiago também tem em sua página uma reflexão “O que estamos aprendendo com a pandemia”; e até uma entrevista com o Secretário de Saúde de São Paulo, Edson Aparecido.

“É importante a gente ter o máximo de pessoas fazendo o trabalho de democratização do conhecimento. Particularmente, quero chegar em quem não tem acesso a esses assuntos. Por isso, a aparência e linguagem dá uma vantagem nisso. Recebo mensagens de várias pessoas do Brasil que estão motivadas a estudar por causa dos meus vídeos”, explicou Thiago em entrevista ao site Rede Brasil Atual.

Filosofia da quebrada

Marcelo Marques, estudante de História, segue a mesma linha. Seu canal no Youtube, chamado Audino Vilão, conta com 103 mil inscritos, e tem grande variedade de vídeos descontraídos, mas com profundidade, que tratam do dia a dia e muito conteúdo filosófico. 

O jovem Marques já compartilhou vídeos curiosos, como “Traduzindo Karl Marx para gírias paulistas”, que tem 255 mil visualizações; além de “Mito da caverna para becos e vielas”; “Aristóteles pagando de coach”; “René Descartes chapado das ideia”, “Traduzindo letras de funk para obras filosóficas”, entre outros. Inclusive, Marcelo tem lives com Luiz Felipe Pondé e Leandro Karnal.

“Minha ideia é ir além dos alunos das universidades, é trazer o conteúdo da ponte pra cá. Há quem diz que eu simplifico o tema, mas estou fazendo gente que nunca prestou atenção no bagulho começar a olhar para o assunto. Estou abrindo portas”, diz Marques, que afirma ser simpático à visão do educador brasileiro Paulo Freire.

“Eu adoro Paulo Freire e defendo totalmente a docência horizontal. É preciso trocar ideia com a rapaziada como um parceiro, sem o pódio de professor. É uma troca conjunta e eu quero levar para a profissão”, encerra.

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